terça-feira, 25 de maio de 2010

REFLEXO 1.8

                   Dominique Ingres - La grande Bigneuse-1808

AMOR DE INSTANTES

Quando ao teu lado penso no que sinto,
E renego a certeza do que vejo.
Se não te enxergo, tenho só desejo
E o ímpeto de todo o meu instinto.

Quando longe te busco, e então faminto
Sorvo o teu corpo na fúria do pejo
Que se espedaça; no calor do ensejo
Tudo surge, resiste e fica extinto.

Nesse amor de uns encontros, de uns instantes,
Não há noções. E o que há logo se esvai.
Somos, nessa hora, amados, mais que amantes.

Essa é a nossa maior paixão; pequena
Vive, e se nutre quando nem acena
O primeiro que enfim se veste e sai.

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